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Mínimo Impacto: princípios, importância e um guia para você se aventurar de forma consciente

Quando viajamos e visitamos comunidades e espaços naturais preservados, temos a chance de provocar impactos relevantes nos locais que nos recebem. Esses impactos podem ser positivos ou negativos e isso só depende da postura e do comportamento que adotamos por onde passamos.



Os princípios básicos de mínimo impacto são condutas e ética a serem adotadas pelos praticantes do trekking, a fim de preservar o ambiente onde atuam e que outros possam usufruir futuramente da mesma maneira. É uma maneira de ajudar na manutenção da qualidade do meio natural.



Guia de Mínimo Impacto à Natureza

Este guia tem a intenção de apresentar técnicas simples para serem aplicadas à atividades ao ar livre como caminhadas, camping, montanhismo, escalada, etc.

O guia está organizado de forma seqüencial. É possível acompanhar o raciocínio desde o momento em que você decide realizar uma atividade ao ar livre. Serve para atividades de caminhada e acampamento. No entanto muitas outras atividades englobam estas. Para se chegar a locais de escalada é muitas vezes necessário percorrer trilhas e travessias, escaladas ou simples passeios podem necessitar de um pernoite.

1. Introdução

Há muito tempo o homem procura ambientes naturais para realizar atividades que tragam paz e desafios. Estas atividades, sejam escaladas ou simples caminhadas, têm aumentado bastante depois que migramos dos campos para as cidades, e com o grande crescimento da população. Cada um procurando da sua forma a energia da natureza que, muitas vezes, não temos na cidade. Não há problema nisto, desde que desfrutemos sem prejudicar a natureza e a ninguém. Garantimos assim, que nós e nossos descendentes possam também desfrutar deste maravilhoso mundo que vivemos hoje.


A biodiversidade é um importante alicerce para o turismo sustentável. Reconhecer paisagens e ecossistemas preservados como aspectos de extrema relevância para a atratividade turística é fundamental. Assim como também é fundamental entender que o turismo bem planejado e implementado pode contribuir de forma significativa para a conservação da biodiversidade, ao gerar valor econômico tangível aos recursos naturais preservados.

2. Planejamento

Planeje sua atividade e pense nos tipos de dificuldades você que poderá encontrar. Tenha uma idéia do local, grupo, equipamentos e conhecimentos que a atividade planejada necessita.

Local – Saber aonde você vai, evita transtornos em caso de restrições à acessos e problemas para sua aventura. Como exemplo, temos as unidades de conservação que têm leis próprias e que podem ser diferentes dos seus planos (acampamentos, acesso a certas localidades…). Escolha um local que esteja de acordo com seus limites e do resto do grupo.

Grupo –Mantenha o número do grupo de 2 à 10 pessoas. Um grupo numeroso, além de agredir mais o meio ambiente, é mais difícil de cuidar e controlar; principalmente quando houverem poucas pessoas experientes. Divida a galera e faça mais de uma viagem.

Equipamento – Leve o necessário, lembre-se disso quando for embalar a comida. Descarte excessos de embalagens (leve para reciclar!) ou até mude para alguma mais leve e menos volumosa. Você verá como a volta fica mais simples e limpa. Dica: se possível embale os alimentos em saquinho estilo “zip zap”. Não leve vidros nem latas, use garrafas de plástico. Verifique se tudo o que você leva não provocará nenhum dano à natureza quando utilizado (sabão…). Dê preferência a equipamentos não descartáveis, que você possa usar várias vezes sem produzir lixo. Como exemplo: Ao invés de comprar uma garrafa de água mineral toda caminhada que fizer, compre um bom cantil que possa ser usado várias vezes.

Conhecimento – Acidentes são desagradáveis à todos. Muitas vezes acabam gerando grandes transtornos para o ambiente selvagem como pousos forçados de helicópteros, utilização de plantas para macas improvisadas, modificação de aspectos naturais para a sinalização, entre outros. Aprenda mais sobre 1ºs socorros e orientação. Deixe seus planos com alguém (aonde foi, quando volta, quem foi…). Esta medida pode ajudar a resolver possíveis problemas que você poderá enfrentar.

3. Equipamento Básico

Leve o equipamento adequado às atividades que você pretende realizar. Isto pode garantir sua segurança. Alguns itens são considerados como “essenciais” e podem evitar alguns transtornos em caso de apuros:

  • Água

  • Mapa da Região

  • Roupa extra (capa de chuva)

  • Bússola

  • Comida

  • Lanterna (com pilhas de reserva)

  • Kit de 1º Socorros

  • Óculos de sol, chapéu/boné

  • Canivete

  • Protetor solar

  • Fósforo e isca para fogo

  • Shit Tube

O uso de mapa e bússola pode evitar que não haja desmatamento desnecessário, abrindo trilhas que já existem. Proteção evitará que se use matéria natural para proteção, como por exemplo arrancar folhas para se proteger do sol ou da chuva. Comida e água evitarão que se rompam cipós ou plantas que serviriam para estes fins no caso de uma emergência.

Além do equipamento certo, é necessário que você tenha conhecimento sobre o uso deles. Procure aprender técnicas de segurança, primeiros socorros, sinalização, sobrevivência.

4. A trilha

Procure andar sobre superfícies duráveis, como rocha, cascalho, grama seca e neve. Caminhe por trilhas já existentes, evite criar novos caminhos e atalhos. Ande em fila indiana no meio da trilha mesmo quando estiver com lama. Isto evita a criação de “novos” caminhos e a erosão de uma área ainda maior.

5. Comportamento

Respeite a vida natural da área que está visitando, observe a vida selvagem à distância, não os siga ou se aproxime (use binóculos!). Principalmente em épocas críticas como, de acasalamento, chocamento, criação de filhotes.

Nunca alimente animais. Alimentando-os, você poderá causar problemas de saúde, alterar seus comportamentos naturais, expô-los à predadores e outros perigos. Por isso proteja sua comida, guardando seus alimentos e lixo em locais protegidos. Controle animais de estimação o tempo todo, se puder prefira deixá-los em casa. Provavelmente você não é o único a estar desfrutando de um momento junto a natureza. Respeite outros visitantes e ajude na qualidade da experiência de todos. Seja educado. Aprecie os sons da natureza, evite excessos de barulho. Os animais e outras pessoas que também estão curtindo agradecem. Pare na lateral da trilha quando estiver descendo para liberar a passagem para os que estão subindo.

6. Local para o Acampamento

Bons locais para acampamento são encontrados, não criados. Se você está indo à natureza conviva com ela como é, evite criar artifícios que modifiquem o meio “para o seu conforto” (para isso temos a cidade!). Monte o acampamento com uns 50 metro de distância de fontes de água e riachos. Procure superfícies duráveis, como rocha, cascalho, grama seca e neve. Se acampar sobre vegetação verde, procure levantar a barraca de vez em quando para evitar matá-la. Se você perceber que o local já apresenta impactos iniciais, procure utilizar outro. Deixe a natureza se recuperar. Mantenha os acampamentos pequenos, disperse as barracas.

7. Vida no Acampamento

Para lavar a louça, evite o uso de detergentes e sabonetes. Se fizer, use biodegradável e jogue a água suja à pelo menos 30 metros da fonte de água, de preferência sobre pedras ou cascalhos. Estes produtos são muito nocivos e, além de matar diversos animais, poderão poluir a própria água que você vai beber. A mesma técnica para banhos. Uma dica é levar água até o acampamento e lavar a louça longe da fonte de água.


Leve sacos de lixo para manter o lugar limpo. Os animais poderão comer restos de alimento com as embalagens e muitos morrem por causa disso. Não faça construções do tipo mesas, fogões suspensos, postos de observação, trincheiras (muito grandes) etc. Aprenda a apreciar a natureza como ela é.


Preserve o passado: aprecie, mas não mexa em estruturas e artefatos históricos. Aproveite para contatar o órgão competente sobre seu achado. Deixe rochas, plantas e outros objetos naturais como você encontrou. Não retire plantas para levar para casa, pois, na maioria das vezes, elas não conseguem se adaptar a outro local. Além disso, poderão transportar insetos que atacarão seu jardim: um ambiente bem mais frágil que o floresta. Evite introduzir ou transportar espécies não-nativas de animais e plantas. Leve fotos, deixe no máximo pegadas.

8. Banheiro?

Sempre que houver a alternativa, use latrinas. Fezes podem ser feitas em buracos de 30 centímetros, pelo menos 50 metros afastados de fontes de água ou trilhas. Procure mexer sua “obra de arte” com um pedacinho de madeira para facilitar o processo de decomposição e depois cubra tudo.

Evite locais onde não haverá uma decomposição eficiente, como em neve ou terrenos muito áridos (cascalho, areia). Leve o papel higiênico para casa ou queime com muito cuidado. Em último caso enterre junto com as fezes. O papel higiênico demora muito mais tempo para se decompor do que você imagina. Para o alvo de urina, prefira pedras. O sal da urina pode ser muito ruim para algumas plantas.


Uma boa dica é a utilização do Shit Tube. É um tubo onde se acondiciona fezes, de forma higiênica, durante a passagem por ambientes naturais, a fim de descartá-las adequadamente, nos aterros sanitários das cidades.


Leia aqui como fazer o seu: Shit Tube – Como Fazer e Utilizar


9. Lixo

O que você leva, você traz. Inspecione o acampamento para recolher lixo e restos de comida. Leve tudo, lixo, restos, sobras. Na medida do possível até a sujeira de outras pessoas mais esquecidas.

Papel alumínio, plástico, metal e vidro, devem ser levados de volta. Proteja dentro de um saco plástico e leve para a reciclagem quando voltar para a cidade.

O lixo orgânico, se não puder ser levado de volta, pode ser enterrado (bem enterrado). Não deixe a vista, animais podem comer (o que não é bom se não fizer parte de sua dieta natural) e não fica um cenário muito agradável para outros visitantes.

10. Fogo

Fogareiros são muito mais eficientes. Quem cozinhou em fogueiras sabe o desastre que é controlar o calor para preparar um refeição. Fogareiros são mais seguros. As fogueiras podem facilmente causar um incêndio e temos certeza que não é isso que você gostaria. São de difícil manuseio e você pode se machucar com mais facilidade.

Já existem opções de fogareiros bem em conta. Principalmente as espiriteiras, movidas à álcool. Fogareiros causam menos impacto. Não precisam de lenha e também não danificam o local em que foram utilizados, sem interferir no ecossistema local e deixar marcas.

Mesmo usando fogareiros, deve-se limpar a área de folhas secas e outros materiais inflamáveis.

Para a iluminação use lanternas, velas.

Quando for permitido fazer fogueiras ou em situação de emergência: Use os locais estabelecidos. Se não, limpe a área de materiais inflamáveis, folhas, galhos…(coloque de volta quando for embora e se certifique que não existe mais brasa nenhuma). Mantenha o fogo pequeno. Use apenas lenha pequena – galhos secos, encontrados no chão, que podem ser quebrados com mão. Queime toda a lenha, esfrie as cinzas com água e espalhe quando estiverem frias.


Lembre-se que o princípio fundamental da atividade com mínimo impacto é passar por uma área sem incomodá-la, e sem deixar evidências de que você esteve lá. (Mountaineering: The Freedom of the Hills).


Com o conteúdo deste guia você já tem um pouco de conhecimento para desfrutar da vida ao ar livre sem prejudicar à natureza. Na prática você aprenderá coisas novas e se quiser pode contribuir conosco e com o nosso guia enviando um email relatando sua experiência.


E agora … Pés nas trilhas e Pé no Chão





REFERÊNCIAS Guia Mínimo Impacto à Natureza, admin@acem.org.br, Elaboração: Rodrigo Gomes Ferreira e Rodrigo Castelan Carlson, Ilustrações: Rodrigo Tramonte, Também contribuiram: Augusto Castelan Carlson e João Matoso, Se você tiver alguma sugestão, crítica ou comentário sobre este guia, mande um email! admin@acem.org.br. Disponível em: https://www.acem.org.br/a-acem/guia-de-minimo-impacto-a-natureza/. Práticas de Mínimo Impacto para Ambiente Naturais. Secretaria de Meio Ambiente Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo. Disponível em: https://www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br/2017/05/turismo-sustentavel-e-tema-do-dia-internacional-da-biodiversidade/











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